Batuira

Blog Oficial da Sociedade Espírita Antonio Batuira, de Mogi das Cruzes, SP.

Biografia

António Gonçalves da Silva, conhecido como Batuíra, (Águas Santas, 19 de março de 1839São Paulo 22 de janeiro de 1909), foi uma importante personalidade do espiritismo brasileiro.

Nascido em Portugal, numa aldeia próxima à cidade do Porto, emigrou com onze anos de idade para o Brasil, tendo vivido até aos quatorze no Rio de Janeiro, então capital do Império. Posteriormente, mudou-se para Campinas, no interior da então Província de São Paulo, onde trabalhou por alguns anos na agricultura.

O escritor Afonso Schmidt relata:

Em 1873, por ocasião da terrível epidemia de varíola que assolou a capital da província, ele serviu de médico, de enfermeiro, de pai para flagelados, deu-lhes não apenas o remédio e os desvelos, mas também o pão, o teto e o agasalho. Daí a popularidade de sua figura. Era baixo, entroncado e usava longas barbas que lhe cobriam o peito amplo. Com o tempo, essa barba se fez branca e os amigos diziam que ele era tão bom, que se parecia com o imperador.

Sabe-se que trabalhou, em 1875, na cidade de São Paulo, como entregador de jornais para o A Província de S. Paulo (cujo exemplar custava 40 réis à época). Nessa época, recebeu dos seus fregueses e amigos a sua alcunha, que nele identificavam uma pessoa ativa e extrovertida, comportamento semelhante ao da narceja, ave pernalta, de vôo rápido, que em tupi recebe o nome de batuíra.

Convivendo com os acadêmicos de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco, passou a se dedicar ao palco, tendo montado um modesto teatro à rua Cruz Preta (posteriormente rua Senador Quintino Bocaiúva). Quando entrava em cena, sempre muito aplaudido, os estudantes lhe dedicavam versos como estes:

Salve, grande Batuíra
Com teus dentes de traíra
Com teus olhos de safira
Com tua arte que me inspira
Nas cordas da minha lira
Estes versos de mentira.

Também nessa altura, iniciou-se no comércio de fumo, fabricando artesanalmente charutos que vendia, o que lhe trouze relativa prosperidade. Com os recursos assim amealhados, adquiriu diversos lotes de terreno no Lavapés, onde ergueu a sua residência e, ao lado, uma rua particular com casas, que alugava aos mais humildes, e que atualmente se denomina rua Espírita.

Partidário da causa abolicionista, nela militou ativamente ao lado de personalidades como Luís Gama e Antônio Bento, protegendo inúmeros escravos que se evadiam rumo à liberdade. Muitos encontravam abrigo em sua própria residência, de lá só saindo de posse da respectiva Carta de Alforria.

Ao abraçar a Doutrina Espírita, dedicou-se de corpo e alma ao socorro aos aflitos e necessitados. Aos doentes, atendia com recursos de homeopatia, oferecidos muitas vezes em sua própria residência, um misto de albergue, asilo, hospital, farmácia e de escola, onde difundia os princípios espíritas. Acerca desse comportamento, afirmava-se à época que “um bando de aleijados vivia com ele“. Quem chegasse à casa, fosse quem fosse, tinha cama, mesa e medicação.

Em 25 de maio de 1890 fundou o jornal Verdade e Luz, que ele próprio compunha a imprimia, destinado à divulgação doutrinária, e que alcançava, à época, a notável tiragem média de cinco mil exemplares. Além disso, proferia conferências espíritas em diversas cidades, criando grupos espíritas em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Fundou a Livraria e Editora Espírita, onde era impressor e tipógrafo.

Casou-se em primeiras núpcias com Brandina Maria de Jesus, com quem teve um filho, Joaquim Gonçalves Batuíra. Em segundas núpcias, teve outro filho, que faleceu com apenas doze anos de idade.

Abriu mão de seus bens em favor dos necessitados, com destaque para a doação de sua casa, no Lavapés, para servir como sede da instituição beneficente “Verdade e Luz”.

Texto retirado da Wikipédia.

 
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